do plenamente outro e um.
E cada coisa aqui, como se fosse a última
a ser dita: o som de uma palavra
casada com a morte, e a vida
que é esta força em mim
de sumir.
Persianas cerradas. O pó
de um eu já-não-mais, esvaziando o espaço
que não encho. Esta luz
que cresce num canto do quarto,
onde o todo do quarto
moveu-se.
A noite se repete. Uma voz que me fala
somente das menores das coisas.
Nem mesmo coisas - mas seus nomes.
E onde nomes não há -
de pedras. A algazarra das cabras
escalando pelas vilas
do entardecer. Um escaravelho
devorado na esfera
de seu próprio excremento. E o enxame violeta
de borboletas mais além.
Na impossibilidade das palavras,
na palavra não dita
que asfixia,
eu me encontro.
Paul Auster
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Tradução: Caetano W. Galindo