Ninguém aqui,
e o corpo diz: tudo que se diga
não se deve dizer. Mas ninguém
também é corpo, e o que diz o corpo
ninguém escuta
além de ti.
Neve e noite. A iteração
de um assasinato
enter árvores. A pena
corre pela terra: não sabe mais
o que há de ser, e a mão que a sustém
sumiu.
Mesmo assim, escreve.
Escreve: no começo,
entre as árvores, um corpo vem andando
da noite. Escreve:
o branco do corpo
é da cor da terra. É a terra,
e a terra escreve: tudo
é da cor do silêncio.
Não estou mais aqui. Jamais disse
o que dizes
que disse. E, no entanto, o corpo é um lugar
onde nada morre. E a noite toda,
dentre o silêncio das árvores, tu sabes
que minha voz
vem andando para ti.
Paul Auster
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Tradução: Caetano W. Galindo
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