Şiir, Sadece: poemas
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26 Kasım 2021 Cuma

Pulso

Isto que se retrai
vai se aproximar de nós
no reverso do dia.

Outono: uma só folha
comida de luz: e o verde
olhar do verde sobre nós.
Onde a terra não para,
nós, também, viramos esta luz,
enquanto morre
a luz
sob a forma de uma folha.

Olho escancarado
na fome do dia.
Onde não fomos,
estaremos. Uma árvore
vai prender raiz em nós
e subir na luz
de nossas bocas.

O dia se porá ante nós.
O dia nos seguirá
rumo ao dia.



Paul Auster
Tradução: Caetano W. Galindo

22 Kasım 2021 Pazartesi

Interior

Carne engalfinhada
do plenamente outro e um.
E cada coisa aqui, como se fosse a última
a ser dita: o som de uma palavra
casada com a morte, e a vida
que é esta força em mim
de sumir.

Persianas cerradas. O pó
de um eu já-não-mais, esvaziando o espaço
que não encho. Esta luz
que cresce num canto do quarto,
onde o todo do quarto
moveu-se.

A noite se repete. Uma voz que me fala
somente das menores das coisas.
Nem mesmo coisas - mas seus nomes.
E onde nomes não há -
de pedras. A algazarra das cabras
escalando pelas vilas
do entardecer. Um escaravelho
devorado na esfera
de seu próprio excremento. E o enxame violeta
de borboletas mais além.

Na impossibilidade das palavras,
na palavra não dita
que asfixia,
eu me encontro.



Paul Auster
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Tradução: Caetano W. Galindo

17 Kasım 2021 Çarşamba

Noites Brancas

Ninguém aqui,
e o corpo diz: tudo que se diga
não se deve dizer. Mas ninguém
também é corpo, e o que diz o corpo
ninguém escuta
além de ti.

Neve e noite. A iteração
de um assasinato
enter árvores. A pena
corre pela terra: não sabe mais
o que há de ser, e a mão que a sustém
sumiu.

Mesmo assim, escreve.
Escreve: no começo,
entre as árvores, um corpo vem andando
da noite. Escreve:
o branco do corpo
é da cor da terra. É a terra,
e a terra escreve: tudo
é da cor do silêncio.

Não estou mais aqui. Jamais disse
o que dizes
que disse. E, no entanto, o corpo é um lugar
onde nada morre. E a noite toda,
dentre o silêncio das árvores, tu sabes
que minha voz 
vem andando para ti.



Paul Auster
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Tradução: Caetano W. Galindo

12 Kasım 2021 Cuma

Desterrar

I.

Com tuas cinzas, as que mal
foram escritas, obliterando
a ode, incitadas raízes, alheio
olho - com mãos imbecis te arrastaram
à cidade e lá te ataram neste
nó de gíria, e deram
nada. Tua tinta aprendeu
a dureza do muro. Banido,
mas sempre ao coração
do incômodo silêncio, triscas as pedras
da terra não vista, e ajeitas teu leito
entre os lobos. Cada sílaba 
é ato da sabotagem.


...


Paul Auster
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Tradução: Caetano W. Galindo

5 Kasım 2021 Cuma

Raios

I.

Raízes agonizam entre vermes - o crivo
Da hora convive no peito de um pardal.
Entre ramo e espira - a palavra
Apequena seu ninho, e a semente, ninada
Por lindes mais simples, não vai confessar.
Apenas o ovo gravita.


II.

Em água - minha ausência em aridez. Uma flor.
Uma flor que define ar.
No poço mais fundo, teu corpo é estopim.


III.

A casca não basta. Engasta
Lascas redundantes e troca
Pedra por seiva, sangue por eclusa em fuga,
Enquanto a folha se fura, se malha
De ar, e tanto mais, sulcada
Ou envolta, entre lobo e cão,
Por quanto mais há de estacar
A vã vantagem do machado?


...



Paul Auster 
todos os poemas
Tradução: Caetano W. Galindo