Şiir, Sadece: Paul Auster şiirleri
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17 Kasım 2021 Çarşamba

Noites Brancas

Ninguém aqui,
e o corpo diz: tudo que se diga
não se deve dizer. Mas ninguém
também é corpo, e o que diz o corpo
ninguém escuta
além de ti.

Neve e noite. A iteração
de um assasinato
enter árvores. A pena
corre pela terra: não sabe mais
o que há de ser, e a mão que a sustém
sumiu.

Mesmo assim, escreve.
Escreve: no começo,
entre as árvores, um corpo vem andando
da noite. Escreve:
o branco do corpo
é da cor da terra. É a terra,
e a terra escreve: tudo
é da cor do silêncio.

Não estou mais aqui. Jamais disse
o que dizes
que disse. E, no entanto, o corpo é um lugar
onde nada morre. E a noite toda,
dentre o silêncio das árvores, tu sabes
que minha voz 
vem andando para ti.



Paul Auster
todos os poemas
Tradução: Caetano W. Galindo

12 Kasım 2021 Cuma

Desterrar

I.

Com tuas cinzas, as que mal
foram escritas, obliterando
a ode, incitadas raízes, alheio
olho - com mãos imbecis te arrastaram
à cidade e lá te ataram neste
nó de gíria, e deram
nada. Tua tinta aprendeu
a dureza do muro. Banido,
mas sempre ao coração
do incômodo silêncio, triscas as pedras
da terra não vista, e ajeitas teu leito
entre os lobos. Cada sílaba 
é ato da sabotagem.


...


Paul Auster
todos os poemas
Tradução: Caetano W. Galindo

10 Kasım 2021 Çarşamba

Unearth

I.

Along with your ashes, the barely
written ones, obliterating
the ode, the incited roots, the alien
eye - with imbecilic hands, they dragged you
into the city, bound you in
this knot of slang, and gave you
nothing. Your ink has learned
the violence of the wall. Banished,
but always to the heart 
of brothering quiet, you cant the stones
of unseen earth, and smooth your place
among the wolves. Each syllable
is the work of sabotage.


...


Paul Auster
todos os poemas

5 Kasım 2021 Cuma

Raios

I.

Raízes agonizam entre vermes - o crivo
Da hora convive no peito de um pardal.
Entre ramo e espira - a palavra
Apequena seu ninho, e a semente, ninada
Por lindes mais simples, não vai confessar.
Apenas o ovo gravita.


II.

Em água - minha ausência em aridez. Uma flor.
Uma flor que define ar.
No poço mais fundo, teu corpo é estopim.


III.

A casca não basta. Engasta
Lascas redundantes e troca
Pedra por seiva, sangue por eclusa em fuga,
Enquanto a folha se fura, se malha
De ar, e tanto mais, sulcada
Ou envolta, entre lobo e cão,
Por quanto mais há de estacar
A vã vantagem do machado?


...



Paul Auster 
todos os poemas
Tradução: Caetano W. Galindo

3 Kasım 2021 Çarşamba

Spokes

I.

Roots writhe with the worm - the sift
Of the clock cohabits the sparrow's heart.
Between branch and spire - the word
Belittles its nest, and the seed, rocked
By simpler confines, will not confess.
Only the egg gravitates.


II.

In water - my absence in aridity. A flower.
A flower that defines the air.
In the deepest well, your body is fuse.


III.

The bark is not enough. It furls
Redundant shards, will barter
Rock for sap, blood for veering sluice,
While the leaf is pecked, brindled
With air, and how much more, furrowed
Or wrapped, between dog and wolf,
How much longer will it stake
The axe to its gloating advantage?


...


Paul Auster
todos os poemas